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19

Maio

Saúde confirma endemia de bactérias multirresistentes nos hospitais da rede pública

“Posso dizer que, hoje, todos os hospitais do DF têm pacientes com KPC”, garante o subsecretário de Atenção à Saúde, Tadeu Palmieri,  em entrevista   para explicar a endemia de superbactérias nas unidades hospitalares.   Ao concluir a frase, ele  complementa: “Posso garantir que todos os hospitais têm, pelo menos, um ou dois casos”. O que avalia como “normal”, pois a notificação de micro-organismos multirresistentes está em ascensão “no mundo”.

O subsecretário ainda fez referência aos dados entregues à imprensa que mostram o aumento no número de superbactérias no DF desde 2010. De acordo com os números da pasta, em 2014 foram somadas 300 bactérias em infecções de corrente sanguínea nas unidades de Terapia Intensiva (UTIs) adultas. Neste ano, são 84.

A pasta   nega  um surto. De acordo com a diretora de Infectologia do DF, Maria de Lourdes Lopes, trata-se de uma endemia. “Nós temos um convívio endêmico com essas bactérias”.  Ela   enfatiza: “Não vivemos essa situação particularmente no DF. Também não é predominante na rede pública. E você ter mais   ou menos bactérias não significa que está provocando ou disseminando. Isso é variável de hospital para hospital”.

ANVISA

A Secretaria de Saúde esteve reunida durante horas com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária  ontem. No encontro, uma decisão foi tomada, anunciou a infectologista Maria de Lourdes: “Estamos montando  uma força-tarefa, que vai ser anunciada como política a ser instalada no DF”.

Na próxima semana, será lançado o Plano de Enfrentamento à Resistência Bacteriana.   O projeto terá como prioridade as chamadas áreas críticas dos hospitais. Ou seja, “UTIs, serviços de onco-hematologia, hemodiálise, transplantes renais e queimados,  nos  pronto-socorro e UPAs, nos pacientes que têm infecções generalizadas  e de home care”, pontuou Maria.  “Pacientes de home care   fazem mais infecções, tomam mais antibióticos”, justifica.

Histórico

Os casos de contaminação por superbactérias ganharam repercussão após a Secretaria de Saúde confirmar que três pacientes “colonizados” pelos micro-oganismos morreram. A pasta informou que ainda não é possível relacionar as mortes à presença das bactérias.

Na última quarta-feira, a Saúde anunciou que 16 pacientes foram isolados no Hospital Regional de Santa Maria após exames detectarem a bactéria multirresistente Acinetobacter baumannii. O último boletim médico informa que seis pacientes continuam isolados em mais três unidades de saúde do DF.

Diretrizes do plano de enfrentamento
  O Plano de Enfrentamento à Resistência Bacteriana terá duas frentes de ação. A primeira será focada no uso racional de antibióticos, medida já salientada em outras entrevistas pela própria infectologista Maria de Lourdes. A segunda tentará diminuir a transmissão dentro dos ambientes hospitalares. Ou seja, a promessa é adquirir produtos de limpeza mais eficientes, capacitar trabalhadores de saúde e formar  multiplicadores dessas novas adesões.
“O que a gente precisa agora é pegar o pouquinho de antibióticos que sobrou num mundo inteiro e usar como espécie em extinção: de forma adequada, principalmente em áreas críticas. Vai ser um envolvimento das pontas das áreas críticas para cá, ou seja, enfermeiros, médicos e infectologistas”, explica a diretora de Infectologia.
“A segunda linha de enfrentamento vai ser diminuir a transmissão entre os pacientes através de cuidados intensificados e aquisição de novos produtos para limpeza e desinfecção com mais eficiência e mais residual, ferramentas de controle da adesão com evidências dessa limpeza, por meio de planilhas de controle nas unidades dos pacientes, capacitação à beira do leito, formação de multiplicadores com essa visão de monitorar a adesão nos plantões diurnos, noturnos e finais de semana”, completou Maria de Lourdes.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília